“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Más há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.
“Talvez, afinal, eu devesse começar a acreditar em milagres. Em rezas, em sonhos, em delírios.
“Preferi ir embora. Mesmo sabendo que ia ser doloroso. Mesmo sabendo que a saudade me mataria. Eu fiz o melhor pra você.. Eu me lembro de tudo, ou deveria lembrar, e você também, não esqueça, por favor. Foi verdadeiro, até o último minuto. E vai continuar sendo.
“Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fossemos feitos de ferro.
“Briga comigo, grita comigo, faz qualquer coisa, mas não sofre não, por favor, pequeno, não sofre não, dói ter que te ver sofrendo.
“A gente podia ter tido mais calma. Podíamos ter ido mais devagar. Deveríamos ter segurado a onda e medido as palavras. A gente tinha que ter tentado controlar a raiva para não magoar o outro. Nossos passos tinham que ter sido exatos, nossos tropeços eram pra significar nada perto daquilo que estava começando a ser algo especial e único. Erramos feio. Falamos demais e agimos de menos. Magoamos demais e amamos de menos. Gritamos demais e fomos sensíveis de menos. Lutamos demais e nos entregamos de menos. Relutamos e tivemos medo demais e nos apaixonamos de menos. Erramos feio. Tudo que não era pra ser feito fizemos em dobro. E o que era pra ser… bem, ficamos no saldo devedor, no vermelho. A gente podia ter tido uma história linda. Mágica, pura, sem cobranças, cheia de respeito, livre, saudável e deliciosa como o barulho da chuva. Era pra ter sido amor.